Gilberto Kassab diz que a culpa da enchente é do Serra

Parque linear e serviços da Sabesp poderiam ter impedido enchente em Perus!

Para Kassab, corte na varrição e obra na marginal não agravaram caos da chuva e culpa por enchentes em São Paulo e antecessores (Serra?).

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), negou, nesta quarta-feira (9), que o contingenciamento de 20% no orçamento do serviço de varrição de ruas da capital paulista tenha colaborado para os danos causados pela chuva que atingiu a cidade na terça-feira (8). O prefeito participou do lançamento da Virada Esportiva num hotel na Zona Sul da cidade.


A chuva que atingiu a cidade causou diversos pontos de alagamento, derrubou árvores, fios elétricos, causou pane na Telefonia e travou o trânsito. Durante todo o dia, a lentidão na capital ficou acima da média. “Foi uma chuva muito atípica, talvez na cidade de São Paulo, [tenha sido] o dia com maior quantidade de chuva do mês de setembro”, afirmou Kassab.


O prefeito disse ter feito os investimentos necessários em coleta de lixo, drenagem, criação de área permeável, limpeza de bueiros e outros serviços. “Investimos o suficiente e temos que cobrar que as empresas [de coleta] trabalhem corretamente”, afirmou ele. De acordo com o prefeito, se for comprovado que as empresas não estão atuando bem haverá punições.

“Acho que é mais do que suficiente R$ 903 milhões [de investimentos em coleta de lixo em 2008]. Só falta alguém dizer que temos de investir mais. É mais do que adequado para uma cidade que tem orçamento de R$ 25 bilhões”, afirmou ele, que repetiu diversas vezes o valor gasto durante a entrevista.



O prefeito determinou o corte de 20% no orçamento dos últimos cinco meses do ano dos serviços de varrição. O orçamento previsto para a área em 2009 era de R$ 264 milhões. Além de varrição, o trabalho inclui a retirada de entulho, lavagem de monumentos, escadarias, calçadões, de ruas após a realização de feiras, e pinturas de guias e sarjetas. De acordo com a Secretaria Municipal de Serviços, cada subprefeitura esta refazendo seu planejamento de varrição para se adaptar ao corte.



Para o prefeito, colaborou para o caos, o fato de a população colocar o lixo fora de casa antes do horário da coleta por não estar acostumada com chuvas fortes neste mês.


Questionado se as obras de expansão na Marginal Tietê eram inapropriadas por aumentar a área não permeável na cidade, o prefeito disse que não e afirmou ter ampliado o número de áreas verdes com a criação de mais de 30 parques.





O prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou ontem não ter reduzido os investimentos para controle de enchentes em São Paulo - apesar dos cortes recentes feitos no orçamento da limpeza pública - e atribuiu a responsabilidade do problema ao pouco investimento feito pelos seus antecessores. "A Prefeitura está preparada de acordo com a dimensão dos investimentos na cidade nos últimos 50 anos", justificou o prefeito.

Ele negou que os pontos de alagamento tenham relação com cortes na limpeza pública. "A Prefeitura deve estar preparada para as enchentes. Não. A Prefeitura deve estar preparada para as chuvas. É evidente que, em uma cidade como São Paulo, ela tem as suas dificuldades na convivência com a chuva", disse o prefeito, por volta de meio-dia de ontem.



O corte no orçamento da limpeza foi de 20% neste ano. Com a medida, deixaram de ser limpos o equivalente a 1.388 quilômetros de vias - grande parte está localizada na região central e no centro expandido da capital. A verba cortada é de R$ 54 milhões.



A Prefeitura alega que o contingenciamento de verba ainda não foi aplicado e que a relação entre diminuição na limpeza e aumento do lixo nas ruas não pode ser feita. Outra alegação da gestão é que há vários "pontos viciados" de descarte irregular de lixo na cidade. Segundo a administração municipal, as subprefeituras ainda negociam com as concessionárias um novo plano de varrição das ruas.



Realidade no centro



Na região da Rua 25 de Março eram os ambulantes que recolhiam os restos amontoados nos bueiros. "Se não fizermos isso, entope tudo, a água sobe demais e não deixa ninguém passar", disse o ambulante Phil Weber. Segundo ele, até as 15 horas de ontem, apenas um varredor havia passado pela principal rua comercial da cidade. "Ele não dá conta e a gente acaba fazendo o trabalho que é responsabilidade da Prefeitura."



O lixo se espalhou pelo centro. Na Praça Fernando Costa, na frente do Terminal do Mercadão, sacos plástico, caixas de papelão, garrafas PET e muito papel ocupavam a calçada. No Largo do Paiçandu, lixo era visto por todos os lados.



Kassab prometeu punir as empresas que descumprirem os contratos do lixo. "A Prefeitura está se esforçando para que haja um rigor muito grande em relação às empresas concessionárias (de limpeza urbana) que prestam serviço à cidade de São Paulo. Elas têm compromissos contratuais e, portanto, aquelas que não cumprirem seus deveres serão penalizadas." Segundo Kassab, os contratos com as empresas serão analisados para não haver "leviandade".



Verba



O combate às enchentes realizado com dinheiro dos cofres da Prefeitura de São Paulo consumiu de janeiro a julho deste ano um total de R$ 132,8 milhões, ante R$ 112,3 milhões desembolsados no mesmo período do ano passado. Entre dez principais ações na área de prevenção às enchentes, o Executivo municipal não gastou neste ano nenhum centavo dos R$ 87.325 orçados para a conservação e manutenção de canais e galerias, por onde escoa a água.

Diariamente, as empresas que fazem a limpeza da cidade varrem 6.941 km de ruas. São 1,88 milhão de metros quadrados de calçadas que os garis percorrem. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação (Siemaco), desde que foi anunciado o corte, as empresas demitiram 1.600 funcionários.

Fonte: G1 e Estadão - foto: Antônio Cruz/ABr



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1 comentários:

  Guilherme Scalzilli

12 de setembro de 2009 13:53

Culpa da chuva

Custo a entender como o paulistano suporta diariamente esse indescritível colapso dos transportes urbanos e continua elegendo a mesma casta política para administrar o Estado. Ninguém jamais será responsabilizado pelo cenário apocalíptico das enchentes e dos congestionamentos monstruosos? O eleitor entregou-se a tamanha catatonia que simplesmente acredita na culpa do temporal, do feriado, do “grande fluxo de veículos”?
São décadas de continuidade administrativa ininterrupta, com uma fortuna já incalculável pretensamente gasta em investimentos, obras faraônicas e propaganda. A malha metroviária continua ridícula e os rios infectos, transbordando sob qualquer chuvisco passageiro (não, isso não acontece apenas com precipitações intensas). E o máximo que o cidadão consegue fazer é dar de ombros e concordar que vida nas cidades piorou muito nos últimos tempos...
Claro, essa passividade tem a colaboração militante da imprensa paulista. Um governo petista seria trucidado pelo espetáculo ignóbil destes dias chuvosos (e não mencionei segurança, educação, saúde). Mas, como a reeleição de Lula provou, a mídia não fabrica eleições sozinha. É impossível assistir ao martírio da população da capital sem constatar um sutil lampejo de merecimento.